DIÁRIO CATARINENSE – 21/11/2008
Reportagem Especial
Sul do Estado ganha um articulador no Planalto
Integração regional

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, assumiu, ontem, o compromisso de intermediar reivindicações para a integração regional do Sul do Estado junto ao governo federal e de destinar recursos para se estabelecer uma agência de desenvolvimento para a região. - Nós podemos participar desse esforço viabilizando recursos não somente do ministério, mas articulando com organismos internacionais (...) para viabilizar esse fórum capaz de articular as ações que nos permitam dar seqüência aos investimentos na região - afirmou o ministro durante participação no Painel RBS, realizado em Criciúma, na manhã de ontem.
Ele sugeriu que a catarinense Márcia Adamo, de Chapecó, membro da secretaria da Integração Nacional, estivesse à frente da participação do Planalto nesse projeto, que deve ser gerido em conjunto com a iniciativa privada, governo estadual e prefeituras. A indicação agradou empresários e representantes do poder público presentes ao evento.
Vieira também afirmou que se dispõe a pleitear a participação do governo federal nas obras da Barragem do Rio do Salto, em Timbé do Sul, no Extremo-Sul do Estado. A obra, que ainda depende de recursos para ser realizada, serviria à irrigação das lavouras de arroz da região, que concentra 35% da produção do grão em Santa Catarina.
A criação da agência de integração regional é a principal medida defendida pelas autoridades para promover o progresso do Sul do Estado, uma das regiões menos desenvolvidas de SC e mais carentes em infra-estrutura.
O órgão coordenaria ações planejadas para a região em vez de cada um dos municípios agir individualmente. Entre as principais reivindicações de infra-estrutura para dinamizar a economia local estão obras como a conclusão do Aeroporto Regional de Jaguaruna, melhorias no Porto de Imbituba e a duplicação da BR-101, que está em andamento.
Queixas de falta de atenção federal
O plano de integração, assim como a agência estão previstos no projeto Prosperidade Sul Catarinense, elaborado por equipes da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e da Universidade do Sul de SC (Unisul) e que serviu de base para o debate do Painel RBS ontem.
As discussões do evento começaram com a apresentação da proposta pelos reitores das universidades e suas reivindicações para a sua efetivação. Na seqüência, o ministro e o governador Luiz Henrique da Silveira responderam a indagações deles e de jornalistas do Diário Catarinense.
Em sua fala inicial, o reitor da Unesc, Antonio Milioli Filho, afirmou que a integração regional ainda esbarra em questões culturais, como o princípio de que cada município deva preocupar-se apenas com o seu espaço. Para ele, as grandes questões não estão restritas aos municípios, pois envolvem toda a região, citando como exemplo disso dificuldades de transporte e logística.
O reitor da Unisul, Gerson Joner da Silveira, queixou-se que o Sul de SC não tem recebido atenção do governo federal. Pediu ao ministro que utilizasse a sua liderança a fim de obter recursos para obras na região e apoio à instalação da agência de desenvolvimento regional.
Geddel, por sua vez, iniciou esclarecendo que considera que as dificuldades de integração na região concentram-se mais no campo da cultura política do que na escassez de infra-estrutura e recursos.
- O conceito de integração que estamos discutindo aqui é muito mais cultural. É muito mais a idéia de que juntos somos capazes de criar condições de pressão política que possam redundar em investimentos estruturantes ou sociais.
Governador defende mais autonomia
Devido a esta característica, o ministro indica que o estabelecimento da agência de integração seria a medida mais indicada para o desenvolvimento regional.
Para o governador Luiz Henrique, uma reavaliação do papel das três esferas do poder executivo - prefeituras, governo estadual e federal - , que concedesse mais autonomia de gestão às administrações locais, favoreceria a integração das regiões.
Sua principal sugestão foi que as reuniões dos conselhos de Desenvolvimento Regional sejam realizadas com maior periodicidade.
( joao.grando@diario.com.br )
JOÃO WERNER GRANDO | Criciúma
|
Mais |
|
Uma secretaria que valesse por cinco |
|
O deputado estadual Décio Góes (PT) alfinetou o sistema de descentralização promovido pelo governador Luiz Henrique da Silveira. Segundo Góes, o objetivo de integração do Sul do Estado já teria sido alcançado se apenas uma Secretaria de Desenvolvimento Regional, com caráter macrorregional, tivesse sido criada, em vez das atuais cinco existentes. |
|
Troca de figurinhas |
|
Ao final do debate, o prefeito reeleito de Urussanga, Luiz Carlos Zen (PP), e o prefeito eleito de Içara, Gentil da Luz (PMDB), trocaram informações sobre o futuro dos respectivos municípios. Gentil informou ao colega que irá iniciar a administração com a nomeação de apenas dois cargos de confiança para ocupar duas secretarias, a exemplo do que fez o próprio Zen durante o primeiro mandato. |
|
O Sul do Estado abrange 43 municípios |
|
A região engloba uma fatia de 10,2% da área total de SC |
|
A população do Sul soma 903 mil habitantes |
|
Isso representa 15,4% do total de habitantes de SC |
|
Segundo dados do IBGE, 8.329 reais é a renda per capita no Sul do Estado |
|
O Índice de Desenvolvimento Humano é de 0,810, à frente apenas |
|
da Serra |
Reportagem Especial
Principais pontos do debate

Na maior parte de suas participações, o ministro Geddel Vieira dedicou-se a esclarecer conceitos sobre integração nacional e regional e a diferenciar a realidade do Sul do Estado do restante do país.
- Eventos como esse permitem a gente elocubrar um pouco também, não tratar só das questões objetivas.
CONTRASTES REGIONAIS
Com essa introdução iniciou sua comparação.
- Quando cheguei aqui eu vinha falando de como esse país é multifacetado. Estou vendo vocês aqui nesse auditório, com essa capacidade de organização, e imaginando a quantidade de problemas que nós temos. Nós estamos discutindo projetos de desenvolvimento e articulação política numa região importante economicamente, com um pólo de produção cerâmica e turismo e renda per capita de oito mil e poucos reais. E eu saio daqui para passar um fim de semana tratando da transposição da água do Rio São Francisco. Levar água para quem não tem água para sobreviver, para sobrevivência animal, onde a discussão é como vamos fazer para dar um pouco de dignidade à comunidade indígena e quilombola e que casa vamos fazer para colocar um banheiro, onde as pessoas ainda fazem suas necessidades onde tem um arroio. Aí, você vai dizer: "Com isso você está querendo dizer que nós devemos nivelar por baixo?". Não, eu quero dizer que vocês estão em um processo de alavancagem desse desenvolvimento já infinitamente distante dos graves problemas que o país tem.
INFRA-ESTRUTURA PRECÁRIA
Sobre a avaliação, os entrevistadores questionaram se essa diferença não acabaria deixando SC em segundo plano entre as prioridades governamentais. O reitor da Unisul, Gerson Joner da Silveira, ainda indicou a falta de infra-estrutura como um aeroporto "digno" no Estado, algo que se encontra nas capitais do Nordeste.
Ao que Geddel admitiu:
- Os problemas são imensos, as dificuldades são gravíssimas e o cobertor ainda é curto.
POLÍTICA DESARTICULADA
A comparação com o Nordeste rendeu o único momento de descontração. Um dos entrevistadores mencionou a unidade da bancada nordestina no Congresso Nacional ao votar em favor dos interesses da região, que seria maior do que a dos catarinenses.
- Vou lhe falar como deputado: isso é uma intriga de SC, que está querendo trazer dinheiro lá do Nordeste para cá - falou em meio a risos, no que foi acompanhado pela platéia.
Ao final do evento, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) ressaltou os investimentos do governo federal no Sul do Estado. Citou como exemplo a duplicação do trecho Sul da BR 101, obras nos portos de Laguna e Imbituba e no Aeroporto de Jaguaruna, a interiorização do UFSC, que terá campus em Araranguá, e a instalação de duas escolas técnicas, em Araranguá, já em funcionamento, e em Criciúma.
- Tudo aquilo que alavanca o desenvolvimento foi durante muito tempo focado de Florianópolis para cima. O Sul não está mais abandonado.
PRIORIDADES
O governador Luiz Henrique abordou, de forma rápida, o impasse sobre a construção do novo terminal do Aeroporto Hercílio Luz, na Capital.
- Ou a Infraero faz, ou privatiza. As duas soluções servem. O que interessa é o aeroporto moderno - asseverou.
A crise global recebeu a atenção dos participantes apenas uma vez.
- As eventuais conseqüências dessa crise significam que temos de nos aprofundar na escolha de prioridades. Por isso, é importante o esforço de vocês em torno de unidades - afirmou o ministro Geddel.
|
Mais |
|
Por falar nisso |
|
O prefeito eleito de Içara, Gentil da Luz (PMDB), aproveitou o tema integração para criticar o adversário político e atual prefeito, Heitor Valvassori (PP), que polemizou com os empresários de Criciúma ao instalar um pórtico no limite com o maior município do Sul. |
|
- As associações empresariais deveriam se reunir para debater ações concretas e não para discutir a instalação de um pórtico, ou seja, uma situação totalmente desnecessária. |
|
O que disse o ministro |
|
"O conceito de integração discutido aqui é muito mais cultural" |
|
"Acho que podemos participar desse esforço viabilizando recursos junto a agência internacionais" |
|
"Vocês têm demandas que eu começo a conhecer" |
|
"Os problemas são imensos, as dificuldades são gravíssimas e o cobertor ainda é curto" |
|
"É desejo do presidente Lula abrir as portas do Ministério para identificar as demandas" |
Reportagem Especial
Chance de se manifestar

A terceira edição do Painel RBS cumpriu com os objetivos traçados e trouxe um novo alento para o desenvolvimento do Sul do Estado. As lideranças presentes ao evento destacaram o compromisso assumido pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, e a chance de revelar as necessidades estruturais da região.
De acordo com o deputado estadual Décio Góes, a integração precisa ser defendida porque os municípios do Sul do Estado possuem as mesmas características e problemas.
- A idéia (de integração) é uma necessidade que a gente já defende porque há uma identidade muito forte entre os municípios - argumentou.
Para o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Benedet, o Painel RBS ofereceu um "tom para que os políticos possam desenvolver um trabalho sinérgico". O empresário Jayme Zanatta elogiou a iniciativa do Grupo RBS, mas esperava ações concretas para os interesses do Sul do Estado.
- Temos algumas prioridades, como a ferrovia que liga o Sul ao Norte, as melhorias no Porto de Imbituba e o Aeroporto de Jaguaruna e isso ainda ficou muito vazio - alegou.
Lideranças aprovam indicação do ministro
Já o secretário de desenvolvimento regional de Criciúma, Édio Castanhel, reconheceu o esforço do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, de contribuir com o projeto elaborado pelas duas universidades.
- Foi uma grande oportunidade para o Sul se manifestar sobre os problemas e o ministro teve uma visão do que é a região - salientou.
Se não houve nenhum anúncio de liberação de recursos, a disponibilização da secretária do Ministério da Integração Nacional, Márcia Abramo, para atuar junto no projeto Prosperidade Sul Catarinense, foi festejada pelas lideranças.
Para o secretário de Articulação Nacional, Geraldo Althoff, o compromisso firmado por Geddel Vieira consolida a continuidade do projeto com a indicação da representante do ministério.
O prefeito reeleito de Urussanga, Luiz Carlos Zen, ressalta que as ações necessárias para o desenvolvimento do Sul do Estado extrapolam as entidades atualmente constituídas, como as associações de municípios das três microrregiões.
- O único elo que está faltando é aquele responsável pelo orçamento.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil, Olvacir Fontana, o Painel RBS reforçou a idéia de mudança na lógica do desenvolvimento do Sul do Estado.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalmecânicas do distrito de Caravaggio (Simec), Ney Milanez, concordou com Fontana e mostrou-se otimista em relação ao futuro.
- Temos um longo caminho pela frente, mas tenho certeza que a região Sul irá mudar a partir desse painel. n
( cristiano.dalcin@diario.com.br )
CRISTIANO RIGO DALCIN
Clima
Pilar cede e ponte é interditada no Sul
Força da correnteza comprometeu a estrutura do vão construído há cerca de 50 anos sobre o Rio da Pedra

A prefeitura de Jacinto Machado, no Sul do Estado, aguarda a chuva cessar para construir uma ponte provisória sobre o Rio da Pedra, no Centro do município. Na noite de quarta-feira, quando chovia forte na região, o pilar central cedeu com a força da correnteza e ponte ficou parcialmente destruída. O tráfego de pedestres e veículos está proibido.
A construção de concreto, que tem aproximadamente 50 anos, tem a base de sustentação feita de madeira. Após a passagem de um caminhão, às 22h de quarta-feira, um dos pilares cedeu e o centro da pista rebaixou.
Como a ponte fazia a ligação entre a área central e os bairros, o acesso do Centro de Jacinto Machado às comunidades rurais é feito por um desvio com oito quilômetros. De acordo com o secretário de Obras, Lucimar Borba Brígido, o tráfego foi transferido pela Linha São Pedro, onde há uma ponte, construída há cerca de um ano, que faz a ligação até a comunidade de Linha Rovaris e o Centro, por estrada de chão batido. O trajeto leva uma hora para ser percorrido de veículo e três horas a pé.
- Disponibilizamos ônibus para o transporte de trabalhadores e estudantes no trajeto maior até que a situação normalize - afirmou Brígido.
A prefeitura também orienta o tráfego de caminhões pela comunidade de Rio Cachorrinho, pelo município de Turvo. A preocupação é com os caminhões da Cooperativa de Jacinto Machado (Cooperja) - maior cooperativa de produtores de arroz da região - , que teve seu principal acesso interditado. Para impedir que a população e motoristas insistam em passar pelo local, a Polícia Militar está de plantão e os acessos foram interrompidos com arame farpado.
( ana.cardoso@diario.com.br )
ANA PAULA CARDOSO | Jacinto Machado
Informe Econômico | Estela Benetti
Sul define focos para prosperar
A série de obras de infra-estrutura em andamento ou projetadas para a região Sul de SC será o grande diferencial para a região entrar numa nova fase de desenvolvimento econômico e social. Os próximos passos serão a criação de uma agência regional para garantir crescimento com equilíbrio, viabilizar auxilio federal e envolver a comunidade e lideranças pela união de ações para a região.
Esses encaminhamentos saíram do Painel RBS, realizado no auditório da Unesc, em Criciúma, que teve como convidado especial o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira. Ele prometeu trabalhar pela viabilização de recursos para o plano, mas citou, várias vezes, que o Brasil tem regiões muito mais pobres, o que vai exigir muita pressão de SC para obter auxílio.
Os reitores da Unesc, Antônio Milioli, e da Unisul, Gerson da Silveira, garantiram que as instituições estão preparadas para formar a mão-de-obra necessária para atender as novas demandas que virão com a maior infra-estrutura. E o governador Luiz Henrique disse que um dos projetos do Estado para dar novo dinamismo à região será a instalação da filial da escola de dança e música do Instituto Mazowsze, da Polônia, em Criciúma.
Para o presidente da Associação Empresarial de Tubarão, Eduardo Silvério Nunes, a maior preocupação é o atraso das obras da duplicação da BR-101 e as queixas das empreiteiras de que o orçamento da obra está defasado.
Energia segura
Questionado se daria apoio político a um maior aproveitamento do carvão na matriz energética do país e no desenvolvimento de outros subprodutos do mineral, o ministro Geddel Vieira prometeu, no Painel RBS, que usaria sua influência e decisões a favor do setor. Mas além do apoio do ministro, outros fatos devem impulsionar o setor, segundo o diretor executivo do Sindicato das Indústrias do Setor (Siecesc), Fernando Zancan.
O principal é que as novas hidrelétricas do país têm reservatórios pequenos, o que reduz a produção de energia em tempos de seca.
Para enfrentar esse risco, o país deverá investir mais em térmicas a carvão e em usinas nucleares, que oferecem energia segura.
No exterior, o carvão cresce como fonte de energia.
Mercado de megaprédios

O primeiro dia da missão (foto) brasileira aos Emirados Árabes Unidos, ontem, contou com visita ao Burj Dubai, o maior prédio do mundo, que ainda está em construção e deve ser inaugurado no primeiro trimestre do ano que vem.
Para o vice-presidente da Fiesc, Jorge Strehl, que lidera a missão, a obra impressiona pelos números: mais de 800 metros de altura, 158 andares, 33 mil metros cúbicos de concreto e 39 toneladas de aço. Empresas catarinenses começam a fornecer para megaprédios do Golfo Arábico.
A NOTÍCIA – 21/11/2008
AN PORTAL | Jefferson Saavedra
Construção no vermelho
A construção civil apresentou o pior desempenho em outubro. Pode ter sido a crise, pode ter sido a chuva, provavelmente foram as duas coisas. Pela primeira vez no ano, o setor fechou no vermelho, com a extinção de 51 vagas. No acumulado do ano, o saldo é positivo, com a criação de 726 postos de trabalho. Em todo o ano passado, Joinville só gerou 90 vagas no setor. Leia mais na página 18.
Opção gastronômica

Ontem pela manhã, alguém resolveu ironizar a poça d´água na Visconde de Taunay e lascou o deboche na placa. A “lagoa” fica na frente da turística rua do Papai Noel.
PELA REGIÃO
Cuidado buracos!

A chuva ainda não deu trégua e cada vez mais aparecem buracos no asfalto recém-colocado da rua Bertha Weege, no bairro Barra do Rio Cerro, em Jaraguá do Sul. Por causa do estado da rua, a construtora que trabalha na pavimentação da via terá de refazer o recapeamento. Mas isso quando o tempo melhorar. Enquanto isso, os motoristas precisam que ficar atentos.