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25/11/2008 TRAGÉDIA SE ALASTRA
 

DIÁRIO CATARINENSE – 25/11/2008

 

Reportagem Especial

Tragédia se alastra

São pelo menos 65 mortes, 30 desaparecidos, oito cidades isoladas, mais de 44 mil sem casas e, já confirmados, 17 pontos de rodovias interditados, além de problemas de abastecimento de água e luz

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Durante o dia de ontem, os números da tragédia não pararam de subir. Em 24 horas, as mortes em decorrência da chuva aumentaram em mais de 200%; os desabrigados e desalojados, em 175%. Até o início da madrugada de hoje, o Departamento Estadual de Defesa Civil confirmava 65 mortos, 30 desaparecidos, oito cidades isoladas e 44.151 pessoas sem casas.

om exceção de um afogamento, registrado em Bom Jardim da Serra, as outras mortes foram por soterramento. Blumenau, uma das cidades mais castigadas pela chuva até agora, teve 13 mortos. Em Ilhota, 15 pessoas perderam a vida; em Gaspar, 10; em Jaraguá do Sul, 12; em Rodeio, quatro; em Luiz Alves, quatro; em Rancho Queimado, duas; em Benedito Novo, duas; em Pomerode, uma; e em Brusque, uma.

O subtenente Edemilson Irineu Corrêa, da Defesa Civil, informou que o número de mortes deve subir já que ainda há áreas isoladas que não foram atendidas. Conforme os bombeiros e policiais chegarem nestas localidades, poderão encontrar mais corpos soterrados.

A Defesa Civil recebeu informações de 44 cidades do Estado que enfrentam problemas de alagamento ou deslizamento. A estimativa é de que 1,5 milhão de pessoas tenham sido afetadas pelo excesso de chuva.

Os prefeitos de Gaspar e Rio dos Cedros decretaram estado de calamidade. Autoridades de Blumenau, Brusque, Ilhota e Tijucas já sinalizaram que vão decretar a situação.

Pomerode, Rio dos Cedros, São João Batista, Benedito Novo, Itapoá, Garuva, Luiz Alves e São Bonifácio ficaram completamente isolados. Os 600 turistas que estavam também isolados em um parque aquático na cidade de Gaspar permaneciam no local até as 21h de ontem. Eles haviam recebido medicamentos durante a tarde e devem ser retirados hoje.

Em Blumenau, há pelo menos 19,5 mil desalojados (pessoas que precisaram sair de casa e buscaram abrigo em residências de amigos) e 280 desabrigados (pessoas que foram para abrigos improvisados pelas defesas civis). Em Itajaí, são 1,2 mil desalojados e 2 mil desabrigados. Na cidade de Ilhota, 3,5 mil pessoas tiveram que deixar suas casas – o que representa 29,5% da população. Em Balneário Camboriú, o Hospital Santa Inês foi atingido por um deslizamento, destruindo a cozinha e obrigando a direção a evacuar cinco alas. Dos 165 leitos, 27 estão ocupados.

As rodovias federais de Santa Catarina estão interditadas em cinco pontos. As mais afetadas foram a BR-101 e a BR-470. No Km 235 da 101, na região do Morro dos Cavalos, em Palhoça, um deslizamento bloqueou a estrada dos dois lados. Desde sábado, ninguém passa pelo local. Na BR-470, ocorreu a explosão do gasoduto no Km 33, na madrugada de sábado, e uma barreira caiu no Km 41.

Nas estradas estaduais, havia 12 pontos interditadas na noite de ontem. Em Florianópolis, no Km 14 da SC-401, que liga o Centro ao Norte da Ilha, as pistas foram bloqueadas após um deslizamento de terra ocorrido no domingo. Um caminhão foi retirado do local na tarde de ontem.

Sete aeronaves ajudam no atendimento aos desabrigados

Para trabalhar no resgate e no atendimento aos desabrigados, sete aeronaves estão em ação – três do Exército, duas da Polícia Militar e duas da Força Aérea Brasileira. O governo do Paraná enviou dois aviões e 150 homens, que já estão na região do Vale do Itajaí trabalhando. Hoje, devem chegar mais dois helicópteros do Paraná, dois de Minas, dois de São Paulo e um do Rio Grande do Sul.

Na noite de ontem, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, chegou no Estado para verificar a situação. Também estão em Santa Catarina o secretário nacional da Defesa Civil, Roberto Costa Guimarães, e o diretor do departamento de minimização de desastres da Defesa Civil, coronel Marcos Moreira.

LUCIANA RIBEIRO

 

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*       Moacir Pereira

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*       Reconstrução

Os relatos feitos por engenheiros, prefeitos e parlamentares sobre os efeitos dos prolongados temporais são espantosamente dramáticos e graves. As águas não baixaram, o que impede diagnósticos mais precisos, mas o que é possível identificar já revela que os prejuízos são incalculáveis. Só na recuperação de estradas estaduais, a previsão é de que serão necessários mais de 30 milhões de reais. O prefeito João Paulo Kleinübing antecipa que a recuperação de pontes, estradas municipais e prédios públicos vai exigir 18 meses de muito trabalho, no mínimo. O DNIT constata a cada nova semana que as rodovias federais estão cada vez mais destruídas, especialmente, o trecho sul da BR-101 em duplicação. Ali, então, o cenário é outra tristeza. O cronograma de conclusão das obras está comprometido. O leito antigo, há muito, está em petição de miséria, com uma buraqueira jamais vista no pavimento federal.

O município de Itajaí também sofre com a inundação do rio Itajaí-Açu. Não tem os mesmos e trágicos deslizamentos de Blumenau, mas as casas, empresas e serviços públicos sofrem grandes prejuízos com o furor das águas.

A união faz a força. Autoridades ligadas a vários partidos, líderes de diferentes regiões e parlamentares com trânsito em Brasília estão revelando elogiável espírito público e educação política neste delicado momento. A hora é de união. E de mobilização para salvar vidas no primeiro momento, garantir assistência aos flagelados e, depois, cobrar de Brasília decisões políticas que permitam a reconstrução das famílias, das comunidades e do Estado.

Informe Econômico | Estela Benetti

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*       Linha de crédito a empresas atingidas

As chuvas dos últimos dias, além de perdas humanas e de infra-estrutura, estão causando prejuízos ao setor produtivo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Alcantaro Corrêa, afirma que a entidade sugeriu um levantamento às empresas para que apontem os prejuízos que estão tendo. Se as perdas forem muito grandes, a entidade vai propor ao governo a criação de uma linha de crédito para as empresas poderem repor máquinas e equipamentos e cobrirem outros custos.

Os diretores do BRDE, Casildo Maldaner e Renato Vianna, já solicitaram ao BNDES a criação de linha de crédito especial aos empresários e agricultores atingidos pela enchente. Eles também sugerem prorrogação do prazo para quem já tem financiamento na instituição.

Entre as regiões mais atingidas, com atividades suspensas nas empresas, estão as de Blumenau e Itajaí. Indústrias cerâmicas de Criciúma estão desligando fornos devido ao corte do gás natural em função de explosões em Blumenau, SC. No Norte, em Joinville, apesar da enchente, as industrias não vão parar.

O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau, Ulrich Kuhn, afirmou que esta é a pior enchente da história do município e que as empresas só vão retomar atividades quando os trabalhadores poderão voltar com segurança.

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*       Inti em Dubai

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Entre as indústrias brasileiras que participam da Big 5, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, como expositoras está a Inti, de Tubarão, especializada em produtos de acabamento para construção civil. A empresária Custódia Goulart (foto) informa que realizou contatos nos primeiros dias que poderão resultar em novos contratos para a empresa.

A maioria dos interessados é dos Emirados, Líbano e países da África, que buscam qualidade. A Big 5 vai até quinta-feira.

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*       Cacau Menezes

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*       Tá pronto

O bem sucedido engenheiro Wilfredo Brillinger, dono da Prosul, empresa catarinense especializada em projetos de estradas, elevados, portos, aeroportos internacionais, estruturas ferroviárias e outras grandes obras, já tem pronto o projeto básico de engenharia da Via Expressa Sul, ligação ao novo aeroporto internacional Hercílio Luz que, de carona, resolveria também o problema do Avaí.

O novo acesso ao aeroporto passaria por trás do estádio da Ressacada, abrindo caminho também para as praias do Sul da Ilha. Não tem porque esperar o novo aeroporto, em 2012. O problema é grave e exige imediata solução. A SC Parcerias sabe disso.

A NOTÍCIA – 25/11/2008

 

EMERGÊNCIA EM SC

BR-101 bloqueada por sete dias

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Na região de Florianópolis, a situação mais crítica é nas estradas. A barreira que bloqueia a BR-101 nos dois sentidos no Morro dos Cavalos, em Palhoça, ao Sul de Florianópolis, levará pelo menos uma semana para ser removida. A informação é do engenheiro Paulo Dagoberto Velasque, gerente do contrato de duplicação da BR-101 no lote 22, que coordena as obras de remoção da barreira.

O maior obstáculo é uma grande pedra que bloqueia quase totalmente a largura da pista e terá de ser explodida. O tráfego no local é feito por dois desvios precários.

A situação é crítica também na rodovia SC-401, que liga a área central de Florianópolis ao Norte da Ilha. A queda de uma barreira cobriu uma extensão de 200 metros da estrada, nos dois sentidos. A previsão é de que a liberação de uma das pistas da rodovia só ocorra em, no mínimo, uma semana.

Ontem, foi encontrada a carteira do motorista do caminhão soterrado após o deslizamento. Ricardo Dias de Oliveira, 34 anos, de Carazinho (RS), ainda não foi localizado. Há ainda a suspeita de que mais veículos estejam sob a terra.

Na Grande Florianópolis também há problemas com abastecimento de água. O conserto da segunda adutora que rompeu na sexta-feira, deixando mais de 800 mil pessoas sem água, pode durar até mais dois dias caso as chuvas continuem. A Casan faz o rodízio do corte de água.

FLORIANÓPOLIS

 

EMERGÊNCIA EM SC

Ônibus para áreas atingidas são cancelados

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A interdição das principais rodovias federais e estaduais está prejudicando as chegadas e partidas de ônibus para as áreas mais atingidas. No Terminal Rita Maria, em Florianópolis, veículos ficaram nas garagens. As empresas não venderão bilhetes até as estradas serem liberadas.

Em Joinville, horários da maioria das linhas que circulam em áreas prejudicadas foram cancelados, o que desagradou a centenas de passageiros. As empresas Santo Anjo e Pluma cancelaram todas as viagens. A Catarinense liberou três ônibus para Curitiba, via São Bento do Sul, e dois para a Capital.

A repórter do “AN” Júlia Pitthan enfrenta a falta de passagens, após um final de semana em Porto Alegre. No fim da tarde domingo, tentou retornar a Joinville, mas o congestionamento a fez passar o dia em Imbituba, na casa de amigos. Ontem à tarde, levou três horas para ir até Florianópolis. Ao chegar à Capital, não havia passagem: a única empresa que faz o trajeto Florianópolis/Joinville suspendeu as vendas.

A viagem teve imprevistos. O carro não pôde seguir em Palhoça: esperou uma hora para que brita fosse espalhada na pista. “O barro tomou a pista, e a estrada virou sabão. Os carros não conseguiam subir o morro”. Para desviar da BR, tomaram um caminho de chão pela Enseada de Brito.

LIVRE MERCADO | Claudio Loetz

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*       PORTOS PARALISADOS

O mar agitado e as enchentes causaram problemas nos portos catarinenses. O de São Francisco do Sul, por exemplo, deixou de operar por três dias seguidos. Desde sexta-feira até ontem de manhã, o acesso ficou fechado por ordem da Capitania dos Portos para não colocar as operações em risco. Dez navios deixaram de entrar ou sair do porto neste período. O prejuízo é gigantesco. A operação começou a se normalizar ontem de manhã.

Em Itajaí, romperam os berços 1, 2 e 3 do cais do porto. Desde sexta-feira à noite, nenhum navio atraca. Não há previsão para a retomada do serviço. O porto não consegue dimensionar os prejuízos. A área portuária está servindo de alojamento para os desabrigados da enchente.

Em Navegantes, a situação na Portonave é grave. O último navio que atracou foi o Saxônia Express, da Hapag Lloyd, ainda na quinta-feira. Desde então, as embarcações nem esperam por um sinal. Procuram, logo, outros destinos para entregar as mercadorias. Não há previsão para normalização dos serviços. O acesso ao local está interrompido.

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*       Terminal

A inauguração do Iceport Terminal Frigorífico de Navegantes, que seria ontem, foi adiada por causa das enchentes na região. O empreendimento recebeu investimento de R$ 50 milhões e empregará 260 pessoas até janeiro de 2009.

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*       Micros

Produto voltado especificamente para micro, pequenas e médias empresas, o Cartão BNDES atingiu em outubro seu melhor desempenho desde que começou a operar, em 2003. Pela primeira vez, foram ultrapassados os R$ 100 milhões em negócios num mesmo mês. O valor (R$ 110 milhões) foi mais de 20% superior ao alcançado em setembro. Ainda com relação ao mês anterior, o número de operações cresceu 12%, chegando a 7.195. O valor médio diário de transações cresceu 18%, somando R$ 4,8 milhões por dia útil.

AN PORTAL | Jefferson Saavedra

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*       Interdição

A Hermann August Lepper está interditada para o tráfego de carros, em Joinville. Mas não é somente por causa das figueiras (algumas podem até cair): é por causa da necessidade de avaliação da rede de gás natural. Hoje a SC Gás vai ali dar uma olhada para ver se tem risco de a tubulação romper.

 


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Atualizado em 25/11/2008