DIÁRIO CATARINENSE – 03.12.2008
Informe Econômico | Estela Benetti
Crédito a empresas atingidas pela chuva
Diante de prejuízos acumulados por micro e pequenas empresas de todos os setores, no Estado, em função da enchente, a Federação das Indústrias (Fiesc) encaminhou ontem ao ministro do Desenvolvimento (MDIC), Miguel Jorge, a solicitação de linha de crédito do BNDES, com carência de um ano e juros menores, para o segmento.
O ofício foi entregue pelo diretor de Relações Industriais da Fiesc, Henry Quaresma, ao secretário de Comércio e Serviços do MDIC, Edson Lupatini Júnior, ontem, durante a reunião plenária do Fórum Permanente das Micro e Pequenas Empresas, em Brasília.
Conforme Quaresma, as estimativas são de que 70 mil empresas tiveram prejuízos com as chuvas e, dessas, cerca de 20% são indústrias. O objetivo é garantir capital de giro.
- Os prejuízos são grandes, pela perda de matérias-primas, insumos e estoques, além da necessidade de recuperação de máquinas, equipamentos, instalações e imóveis", destaca o documento.
Na reunião do Fórum, os participantes mostraram sensibilidade com a situação dos atingidos pela enchente em SC. O presidente do Sebrae nacional, Paulo Okamoto, também participou da reunião que contou, ainda, com parlamentares.
Incentivos aqui e lá
Atendendo solicitação das entidades empresariais das regiões atingidas pela enchente, o governador Luiz Henrique da Silveira e o Secretário de Estado da Fazenda, Sérgio Alves, vão anunciar, hoje à tarde, incentivos fiscais, via ICMS, para empresas.
E ontem, o Confaz, Conselho Nacional de Administração Fazendária, anunciou que aceitou a sugestão da Fazenda de SC e concedeu isenção de ICMS para doações de outros estados feitas aos flagelados da enchente em SC.
O governo do Estado, além dos últimos pleitos sobre a enchente, já contava com uma lista de reivindicações do setor privado em função da crise global.
Cacau Menezes
Como tudo começa
Você quer saber como começa uma tragédia? É simples: autoridades, às vezes dos três poderes, permitem que se avance sobre a natureza, destruindo áreas que deveriam ser preservadas e que, no futuro, podem causar sérios problemas aos moradores que se instalarem no local. Muita gente ganha dinheiro e deixa o problema para quem se instala. Problema que só vai eclodir 10, 15 anos depois, quando ninguém mais vai lembrar quem começou tudo isso.
Neste exato momento, quando ainda se computam mortos e perdas do desastre ambiental em solo catarinense, o governo do Estado apresentou à Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 347/08 para desanexar áreas do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, uma área da Mata Atlântica. O projeto tramita em caráter de urgência. Basicamente, propõe desanexar áreas da região costeira criando "Áreas de Preservação Ambiental" sob gestão das prefeituras, altamente manipuláveis pelo setor imobiliário. O Parque da Serra do Tabuleiro é fundamental, também, para o abastecimento de água da Grande Florianópolis.
Cabe à sociedade catarinense conversar com os seus deputados sobre o que deseja para o futuro do nosso Estado. Mais área verde ou mais tragédias.
Reportagem Especial
Radiografia da BR-101
Apesar dos problemas provocados pela enxurrada, a rodovia já está em condições de ser transitada

Depois de parcialmente bloqueada em razão dos desmoronamentos ocasionados pela enxurrada que atingiu Santa Catarina, a BR-101, que chegou a ficar praticamente deserta, voltou a ser uma das rodovias mais movimentadas do Brasil.
Agência RBS percorreu ontem os 370 quilômetros da BR-101 Sul, entre Osório e a Grande Florianópolis, e constatou que, apesar dos obstáculos dos últimos dias, a rodovia está em condições de ser transitada.
A liberação da estrada ocorreu no domingo à noite, depois de uma semana de trabalho intenso para retirar o barro, árvores e as rochas que cairam sobre a pista na região do Morro dos Cavalos, em Palhoça (SC).
Os caminhões e ônibus, que não puderam circular pela rodovia durante a intervenção, são maioria agora e deixam o trânsito pesado em todo o trajeto. O motorista precisa redobrar a atenção em alguns trechos, principalmente entre os municípios de Paulo Lopes e Palhoça, onde ocorrem as principais obras de recuperação do asfalto.
Responsável pelo trecho mais atingido pelas chuvas, a Concessionária Sim mobilizou mais de 40 operários e dezenas de maquinários para recompor a pista, que ficou completamente esburacada pela força das águas e pelo tráfego intenso.
A empreiteira concluiu no fim de semana a operação tapa-buracos. Desde segunda-feira, a equipe está emparelhando o asfalto. Para isso, a circulação está sujeita a interrupções parciais nos dois sentidos durante todo o dia.
Quem está programando pegar a BR-101 para curtir as praias catarinenses, devem ficar alertas: a previsão é que os trabalhos só sejam finalizados até o dia 20 de dezembro. Depois de terminar a reforma da pista, a concessionária irá investir na contenção dos morros e barreiras.
A partir de 1º de janeiro, as obras de duplicação, que possam bloquear as pistas, serão suspensas nas sextas-feiras à tarde e retomadas nas segundas-feiras pela manhã. Com isso, o acesso à praias para os turistas será facilitado.

Reportagem Especial
Uma hora a mais dentro do ônibus
Enquanto engenheiros tentam apressar solução, população sofre com deslocamento entre o Centro e o Norte da Capital

As máquinas que trabalham na SC-401, em direção ao Norte da Ilha, em Florianópolis, conseguiram na tarde de ontem abrir passagem por meia pista da rodovia. Mas ainda há grande quantidade de terra e rocha caída sobre a outra parte da via e o trânsito para veículos segue permitido apenas pelo desvio no caminho dos Açores e Santo Antônio de Lisboa. O engenheiro responsável, Cléo Quaresma, afirmou que a desobstrução parcial vai facilitar o restante da limpeza nos próximos dias.
A construção da estrada secundária no Km 14, que melhoraria o trânsito no local, até que a muralha de contenção do morro que desmoronou seja erguida, ainda não está decidida. Por enquanto, os técnicos que estão no local cuidam da remoção e a equipe técnica é quem deverá se posicionar a respeito. Geólogos já fizeram uma vistoria na área e dificilmente haverá liberação sem as obras que garantam a segurança a fim de evitar novos deslizamentos.
A situação da rodovia e a demora nas filas que se formam antes do desvio geram transtornos aos passageiros do transporte coletivo. Os horários dos ônibus, principalmente da empresa Canasvieiras, que faz linhas Centro/Norte da Ilha, sofrem atrasos.
Trabalhadores chegam atrasados no emprego
A viagem do Terminal de Canasvieiras (Tican) ao Terminal do Centro (Ticen) está levando 1h40min quando o tempo normal é de 40 minutos.
A atendente de supermercado, Geovana Mara Prado, 30 anos, não consegue mais chegar no horário e terá que trabalhar mais horas por dia para compensar.
- Na segunda-feira à noite eu levei de ônibus quatro horas do centro até Canasvieiras, muita gente está vindo de carro - protestou Geovana.
O engenheiro Cléo Quaresma espera terminar o trabalho de limpeza até o dia 14. O governador Luiz Henrique da Silveira disse que o trabalho levará menos tempo. Já o secretário estadual da Infra-estrutura e presidente do Deinfra, Romualdo França, preferiu não estabelecer prazo. Na sua avaliação, o número de máquinas e homens trabalhando é o ideal e a segurança dos trabalhadores e usuários está em primeiro lugar.
O engenheiro civil Aloysio Sérgio de Oliveira, diretor administrativo do Sindicato dos Engenheiros no Estado de SC (Senge), avaliou o tempo estabelecido por Quaresma como razoável. De acordo com Aloysio, o maior número de máquinas operando no local poderia representar risco.
O tenente-coronel Paulo Ekke Moukarzel, comandante da Polícia Militar Rodoviária em SC, disse que não há o que fazer para evitar os congestionamentos.
O oficial afirmou que pediu ao Deinfra que encontre outro local para despejar a terra e as rochas, a fim de evitar o trânsito de caminhões na pista, próximo ao posto policial, que prejudica ainda mais o tráfego.
DIOGO VARGAS
Reportagem Especial
Ligação PR-SC fica mais complicada

O tempo estava bom na manhã de ontem. A última chuva na serra paranaense havia sido na noite de segunda-feira. Mas com o terreno encharcado, houve queda de barreira na BR-376, no Paraná. A rodovia fica a 22 quilômetros da divisa com Santa Catarina e se transforma em BR-101 no trecho catarinense.
Uma montanha de terra cobriu a pista no km 663, sentido Norte-Sul, em Tijucas do Sul (PR), por volta das 7h40min. A barreira tinha cerca de 50 metros de extensão por cinco de altura. Nenhum veículo foi atingido e não houve feridos.
A retirada do barro começou pela manhã, com máquinas e caminhões da Autopista Litoral Sul, concessionária responsável pelo trecho. Até ontem à noite, a remoção da barreira não havia sido concluída.
Para amenizar o transtorno, um trecho de sete km do sentido Sul-Norte, entre os km 657 e 664 da rodovia, foi transformado em pista dupla para servir de desvio.
Como a pista virou mão dupla, o tráfego de veículo afunilou e houve lentidão.
Nas primeiras horas após o deslizamento, os motoristas já começaram a receber informações no posto da PRF em São José dos Pinhais (PR), 29 km antes da barreira. A principal orientação para quem vinha a Santa Catarina era pegar a BR-116 e descer até Mafra ou São Bento do Sul - duas horas e meia a mais de viagem.
ROGÉRIO KREIDLOW | Joinville
Reportagem Especial
Uma espera angustiante

A espera pelo abraço, ontem, foi longa. Devido à barreira que interrompeu o tráfego no Km 663 da BR-376, o economista Delmar Schmitd, de 58 anos, esperou sete horas a mais do que o previsto para ver sua filha, Carol Schmitd, 28 anos, que vinha de São Paulo.
- Ficamos presos em dois congestionamento. Primeiro em um acidente em Registro, depois perto de Curitiba, além do desvio.
Reportagem Especial
Viagem menos complicada

O obstáculo para chegar da BR-101, em Itajaí, a Blumenau começou a ficar menos complicado ontem, com quase todo o trabalho de desobstrução da SC-470 concluído. Para a limpeza da SC-470, também conhecida como Rodovia Jorge Lacerda, pelo menos 300 caçambas, com capacidade para 23 toneladas, carregadas com terra e pedaços de árvores, foram retiradas somente da pista durante todos os dias de trabalho.

Reportagem Especial
Liberação de rua não durou muito
Principal acesso da BR-101 ao Centro de Joinville é interditado novamente

A Rua 15 de Novembro sentido Centro/BR-101, ao lado do pórtico de entrada de Joinville, foi novamente interditada no início da manhã de ontem.
A liberação durou menos de 14 horas e foi suspensa após um estudo de solo realizado pela Defesa Civil apontar que ainda há riscos de novos deslizamentos de terra no morro que fica ao lado da pista.
Agora, os motoristas que seguem para a BR-101 e o Bairro Vila Nova precisam passar pela pista que fica embaixo do pórtico do município. Veículos maiores, como caminhões e ônibus, continuam desviando pela Expoville, que fica ao lado da rodovia.
Os agentes de trânsito da Guarda Municipal estavam ontem no local reforçando a sinalização e orientação aos motoristas.
A entrada na cidade pela 15 de Novembro não apresenta problemas e está liberada.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil na cidade, André Schmalz, não há previsão para a liberação total da 15 de Novembro.
- O geólogo afirmou que é necessário retirar mais terra ao lado da pista e aguardar o tempo melhorar para evitar riscos de novos deslizamentos - explicou.
Mais de mil pessoas continuam desalojadas em Joinville devido ao risco de suas casas serem atingidas por deslizamentos.
- Muitos dos prédios estão com a estrutura irrecuperável. Em alguns casos, até o terreno não poderá mais ser ocupado - afirmou Schmalz.
A boa notícia é que Joinville não possui mais desabrigados. Ontem, as 20 pessoas que permaneciam na Escola Municipal Elizabeth Von Dreifuss, no Bairro Morro do Meio, saíram do local.
Joinville
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Joinville |
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Em situação de emergência |
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População: 492.101 |
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Desalojados: 1.240 |
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Feridos: 2 |
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Desaparecidos: 1 |
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Imóveis danificados: 1 mil |
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Serviços danificados: energia, transporte e comunicação |
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Problemas registrados: deslizamento e alagamento |
Reportagem Especial
Prejuízo chega a R$ 1 milhão
Paralisação de empresas, do Porto de Itajaí e a situação precária das estradas afetam as transportadoras do Estado

Os reflexos da paralisação do Porto de Itajaí e da situação precária de algumas estradas em Santa Catarina por causa das enchentes começa a chegar às transportadoras.
Com a suspensão dos trabalhos nas empresas da região do Vale do Itajaí por pelo menos seis dias - em algumas o período chegou a oito dias - os prejuízos diretos chegam a R$ 1 milhão, informou, ontem, o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas de SC (Fetrancesc), Pedro Lopes. A cifra pode ser ainda maior se forem calculadas as perdas indiretas, como gastos a mais com combustível.
- Fizemos uma reunião com o secretário da Fazenda na semana passada e decidimos levar, daqui a 15 dias, os cálculos com as perdas de cada segmento para vermos que solução deve ser tomada.
Os problemas ocorreram na época de maior movimento, por conta do abastecimento de supermercados para as festas de final de ano. Em dezembro, menos de 5% da frota do Estado - de 180 mil caminhões - fica parada. Hoje, as empresas têm trabalhado com 60% da normalidade.
Um dos principais problemas é o fechamento de estradas e a necessidade de desviar o caminho, que aumenta os gastos com o diesel. O fechamento da BR-470, por exemplo, aumenta a distância para o escoamento da economia do Oeste catarinense, já que az ligações com o Vale do Itajaí - tanto da BR-470 e a SC-470 - estão com pontos de interrupção de trânsito.
Obras do gasoduto serão retomadas hoje
Somado a isso, há o atraso na entrega das cargas que ficaram represadas em várias partes do Estado. Mais de 4 mil caminhões ficaram parados no trecho das BR-101, em Palhoça, e outras centenas nem saíram das empresas. Lopes acredita que sejam necessários 15 dias para regularizar o despacho das cargas.
A Defesa Civil liberou ontem, as obras de conserto no gasoduto Bolívia-Brasil, em Gaspar. As obras serão retomadas hoje. O duto está rompido desde o dia 23, em decorrência das fortes chuvas, e as obras haviam sido suspensas por motivo de segurança.
A empresa TBG, responsável pelo gasoduto, apresentou um plano de contingência especial com o objetivo de garantir a integridade física do pessoal que trabalha na obra. A Defesa Civil vai coordenar a segurança da obra e fazer um acompanhamento até o seu final. A empresa também elaborou um plano de abandono do local, caso venham ocorrer acidentes. Cerca de 40 pessoas trabalharão nos reparos e o duto deve voltar a sua normalidade em dez dias.
( graziele.bo@diario.com.br )
GRAZIELE DAL-BÓ
A NOTÍCIA – 03.11.2008
VIAGEM MAIS DEMORADA
Queda de barreira bloqueia tráfego na BR-376, que liga PR e SC. Uma das pistas é usada em mão dupla

O tempo estava bom na manhã de ontem. A última chuva na serra paranaense havia sido na noite de segunda-feira. Mas com o terreno encharcado, houve queda de barreira na BR-376, no Paraná, por volta das 7h40. A rodovia é o prolongamento da BR-101 e fica a 22 km da divisa com Santa Catarina.
Uma montanha de terra cobriu a pista no km 663, sentido Norte-Sul, em Tijucas do Sul (PR), A barreira tinha cerca de 50 metros de extensão por cinco de altura. Nenhum veículo foi atingido.
A retirada do barro começou pela manhã, com máquinas e caminhões da Autopista Litoral Sul, concessionária responsável pelo trecho. A estimativa inicial era que a pista fosse liberada até a noite de ontem, o que não foi possível. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos hoje.
Um trecho de sete quilômetros do sentido Sul-Norte, entre os km 657 e 664, foi transformado em pista dupla para servir de desvio. O tráfego de veículo afunilou e houve lentidão.
Nas primeiras horas após o deslizamento, a orientação para quem vinha a Santa Catarina era pegar a BR-116 e descer até Mafra ou São Bento do Sul. O trajeto demora cerca de duas horas e meia a mais, segundo motoristas.
A partir do posto da PRF no km 654, em Tijucas do Sul, ninguém podia passar. Quem estava na fila foi orientado a voltar devagar, na contramão, e pegar desvios por rodovias estaduais paranaenses, entre a barreira e São José dos Pinhais, até sair na BR-116 ou em rodovias estaduais de SC.
Outro caminho para quem vem do Norte do Paraná ou do litoral é a PR-412, via Matinhos e Guaratuba, com passagem pelo ferryboat. A saída é em Itapoá, no Norte catarinense.
JOINVILLE
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HORAS NA ESTRADA |
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O motorista Edson Ludvig dirigia um ônibus da linha Curitiba-Florianópolis, que saiu do PR às 7h15. A viagem que deveria durar duas horas até Joinville prolongou-se por sete horas e meia. Ele ficou horas parado até que os veículos puderam voltar na contramão. |
EMERGÊNCIA EM SC
Acesso parcial pela rua 15 de Novembro

A rua 15 de Novembro sentido Centro-BR-101, ao lado do pórtico de entrada de Joinville, foi novamente interditada ontem. A liberação do trânsito durou menos de 14 horas e foi suspensa após um estudo de solo da Defesa Civil apontar que ainda há riscos de novos deslizamentos de terra no morro que fica ao lado da pista.
Agora, os motoristas que seguem para a BR-101 e o bairro Vila Nova precisam passar pela pista que fica embaixo do pórtico. Veículos maiores, como caminhões e ônibus, continuam desviando pela Expoville, que fica ao lado.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil na cidade, André Schmalz, não há previsão para a liberação total da 15 de Novembro. “O geólogo afirmou que é necessário retirar mais terra ao lado da pista e aguardar o tempo melhorar para evitar riscos de novos deslizamentos”, explica.
Mais de 6 mil pessoas continuam desalojadas em Joinville devido ao risco de suas casas serem atingidas por deslizamentos.
EMERGÊNCIA EM SC
Site mostra como e onde se cadastrar para ajudar

O Instituto Voluntários em Ação está engajado no mutirão de ajuda aos flagelados. O portal da instituição presta apoio à Defesa Civil, com informações sobre como se cadastrar para trabalhos voluntários e quais as necessidades de cada cidade. Os voluntários podem ajudar indo ao local ou pela internet. Informações no www.voluntariosonline.org.br.
EMERGÊNCIA EM SC
Prefeituras se ajudam para fazer obras

Santa Catarina é um Estado com clima, localização e características geográficas que propiciam catástrofes naturais. Para saber enfrentar situações como a que aconteceu no Vale do Itajaí e no Litoral nas últimas semanas, o 6º Congresso Catarinense de Municípios discutiu, ontem, o planejamento governamental e a prevenção contra desastres.
A solidariedade entre as cidades catarinenses faz a diferença. Para o presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Dávio Leu, prefeito de Massaranduba, esse sentimento já esteve presente em outras situações de catástrofe e é uma marca da união dos municípios do Estado.
“Os outros municípios estão ajudando, com apoio de instituições, para abrigar pessoas e maquinário. É uma prática exemplar para todo o Brasil”, falou.
Nas regiões mais atingidas, as associações já começaram a unir esforços. “Foi montado um conselho intermunicipal na região de Jaraguá do Sul, para começar a reconstrução com a ajuda de municípios, organizações não-governamentais, empresariado e comunidade”, exemplificou Leu.
A ajuda financeira fica por conta dos recursos dos governos federal, estadual e de cada município atingido. Uma possibilidade em discussão pela Fecam é a criação de um fundo estadual para socorrer cidades atingidas por calamidades. “Seria possível rever o Código Estadual Ambiental que está para ser aprovado e incluir nele uma avaliação da situação de todo o Estado e a previsão de um fundo para esses incidentes”, afirmou o presidente da federação.
Ontem, o Tribunal de Contas do Estado anunciou que vai fazer plantões nas principais regiões atingidas pela enchente. A idéia é esclarecer dúvidas sobre procedimentos técnicos por causa da situação de calamidade ou estado de emergência. Os plantões serão a partir das 14 horas, nas sedes de seis secretarias de Desenvolvimento Regional: da Grande Florianópolis e de Jaraguá do Sul (amanhã), de Brusque e Joinville (dia 5) e de Itajaí e Blumenau (8).
EMERGÊNCIA EM SC
Técnicos vistoriam áreas de risco em Jaraguá

Funcionários da Defesa Civil e especialistas do Instituto Geológico de São Paulo continuam os trabalhos de monitoramento de áreas atingidas por deslizamentos de terra. Ontem, ele sobrevoaram as áreas com um helicóptero cedido pela Polícia Militar. Durante meia hora, analisaram locais de difícil acesso. As áreas de maior preocupação continuam sendo os bairros Rio Molha e Jaraguazinho.
O vice-coordenador da Defesa Civil e secretário de Urbanismo, Alberto Marcatto, acompanhou as vistorias e disse que o morro onde ocorreu um deslizamento na região do Jaraguazinho comprometeu muito aquela região. Pelo menos 700 metros cúbicos de terra da encosta caíram num rio. A Defesa Civil interditou 25 casas. “Pelo menos oito moradias estão numa situação gravíssima. Elas podem ser atingidas com novos deslizamentos”, diz Marcatto.
A análise dos especialistas servirá de referência para a Defesa Civil e Prefeitura e possivelmente projetar limitações na ocupação de alguns locais. A Defesa Civil pede aos desalojadas que não retornem para casa antes que sejam concluídos todos os trabalhos.
JARAGUÁ DO SUL
LIVRE MERCADO | Claudio Loetz
SOCORRO PARA EMPRESAS
O Sebrae e o Ministério do Trabalho prometem R$ 300 milhões em orientação empresarial, garantias complementares de crédito e concessão de crédito às empresas atingidas pelas enchentes no Estado. A estimativa é de que 70 mil empresas tenham sofrido prejuízos com as chuvas. Será feita uma triagem para que as ações sejam mais eficazes.
A intenção é disponibilizar mais recursos para o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), aumentando a oferta de crédito, além de ampliar o prazo de garantia. Hoje, o Fampe avaliza até 80% da operação contratada, em um prazo máximo de 96 meses. “Vamos apoiar a reestruturação das micro e pequenas empresas”, reforça o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto.
O Banco do Brasil, responsável por 98% das operações do Fampe, vai aumentar recursos em linhas de crédito para concessão de financiamentos às micro e pequenas empresas. O patrimônio do fundo junto ao Banco do Brasil é de R$ 143 milhões. As operações garantidas pelo Fampe no BB somam R$ 1,3 bilhão. Mais de 36 mil micro e pequenas empresas acessaram essa garantia para contratar empréstimos.
O Fampe fecha o ano com mais de R$ 1,8 bilhão de operações de crédito contratadas, contabilizadas desde a sua criação, em 1995. Desse valor, R$ 1,3 bilhão foram concedidos pelo Fampe e R$ 500 milhões correspondem à participação do tomador de crédito. Essas operações atenderão, até o fim de dezembro, a 60 mil micro e pequenas empresas.
Obras
O prefeito de Itapoá, Sérgio Aguiar, enviou mensagem ao governador Luiz Henrique agradecendo a solidariedade com a população do município e a declaração de que iria agilizar as obras da SC-415, em direção ao futuro porto. A diretoria do Terminal de Contêineres Santa Catarina, diante das manifestações dos políticos, diz que a antecipação do cronograma de construção pode ser viabilizada, “se a estrada de acesso e a linha de transmissão de energia estiverem prontas com a entrega das obras”. O contrato da licitação determina que o prazo para a conclusão da pavimentação é março de 2010.
Ministro vê estragos

As obras de dragagem emergencial no porto de Itajai vão demorar três meses. Depois, virão os trabalhos de recuperação dos molhes de proteção e dos berços de atracação e também de diques de contenção, para evitar futuros rompimentos. O porto de Itajaí movimenta cargas que equivalem a 21,8% da riqueza catarinense. O ministro dos Portos, Pedro Brito, inspencionou os estragos no porto, em companhia do vice-governador Leonel Pavan, e de outras autoridades. Brito garantiu investimento de R$ 350 milhões para os serviços. Prometeu se empenhar para liberar R$ 50 milhões na próxima semana e se comprometeu a finalizar a tomada de preços para as obras mais emergenciais até sexta-feira, para que os contratos possam ser assinados na semana que vem.
DRAGAGEM- - A administração do porto de São Francisco do Sul publica edital para fazer licitação para contratar empresa que fará obras de dragagem no canal de acesso, no volume de 426.828,11 metros cúbicos.
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Atualizado em 03/12/2008