CLIC RBS – 10.12.2008
Emergência em Santa Catarina | 10/12/2008 | 08h31min
SC-401 volta a ser interditada em Florianópolis
Tráfego foi bloqueado no km 14 na noite de terça-feira devido ao risco de novos deslizamentos
Atualizada às 08h48min

O tráfego de veículos pelas duas faixas que estavam liberadas da SC-401, que liga as praias do Norte ao Centro de Florianópolis, voltou a ser bloqueado no final da noite de terça-feira.
Para a segurança dos motoristas que utilizam a via, a Defesa Civil havia determinado a interdição da pista no km 14 — onde no mês de novembro houve a queda de barreira provocada pelsas fortes chuvas — caso voltasse a chover com intensidade moderada a forte.
O trânsito foi desviado pela estrada geral do bairro Cacupé. Desde o início da manhã desta quarta-feira, há congestionamento nos dois sentidos da rodovia.
SC-416 continua bloqueada
O bloqueio provocado pela queda de barreira nos kms 30 e 34 da SC-416, entre Jaraguá do Sul, no Norte, e Pomerode, no Vale do Itajaí, também continua nesta quarta. Os motoristas devem passar pela SC-413, em Guaramirim, e pela SC-474, em Blumenau.
Rodovias federais têm problemas
Na terça-feira, apesar de alguns pontos ainda apresentarem problemas, a BR-470, no Vale do Itajaí, foi liberada para o tráfego. No km 41, onde a explosão de um gasoduto danificou a estrada, foi construído um desvio local. O trânsito é lento no trecho.
No km 63, entre Indaial e Blumenau, e no 86, em Rodeiro, os motoristas utilizam desvios locais.
Na BR-101, que cruza Santa Catarina pelo Litoral, o fluxo de veículos é desviado por meia-pista no km 13, em Garuva, no Norte catarinense.
Entre os kms 222 e 237 da rodovia, no trecho do município de Palhoça, na Grande Florianópolis, o trânsito é liberado de forma alternada em cada sentido devido a obras de recuperação da pista danificada pela queda de barreira. Os trabalhos de recapeamento asfáltico vão até 19 de dezembro.
Na BR-282, o trânsito flui em desvios nos kms 31 e 50, em Águas Mornas, porque parte da pista cedeu. Nos demais pontos que estavam interditados, o tráfego já foi liberado.
DIÁRIO CATARINENSE – 10.12.2008
Reportagem Especial
Duplicação da BR-470 garantida
A reconstrução de SC

Após os estragos causados por quedas de barreiras e desmoronamentos, que chegaram a interditar trechos da pista, a BR-470 será reforçada contra os efeitos das chuvas.
Até maio do próximo ano, a rodovia receberá obras de contenção de encostas e aterros nos municípios de Navegantes, Gaspar, Blumenau e Rodeio.
As obras fazem parte do trabalho de recuperação previsto também em outras três rodovias federais - BRs 101, 280 e 282 - por meio do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).
O governo federal assegurou R$ 120 milhões para os serviços.
Apesar de o valor exato ainda não ter sido definido, o Dnit estima que a maior parte dos recursos será usada na BR-470, a rodovia mais danificada pelas chuvas de novembro.
Somente o trecho de Gaspar receberá três obras de contenções de encostas e aterros, a fim de impedir que a rodovia volte a sofrer com desmoronamentos de terra causados por excesso de chuva.
As obras emergenciais serão projetadas prevendo a duplicação da rodovia, programada para começar até o final de 2009. O cronograma para a execução das novas pistas da BR-470 não deve atrasar.
Mesmo com a necessidade de investimentos para os trechos atingidos pelas chuvas, os recursos para a duplicação - R$ 98 milhões - estão assegurados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo.
Até o final do mês, deve estar concluída a licitação do projeto executivo das obras.
Os estudos de impacto ambiental e viabilidade técnico-econômica ainda aguardam a assinatura dos contratos, também prevista para este mês.
Liberado trecho interditado
Foi liberado ontem o trecho entre os kms 41 e 47 da BR-470, em Gaspar, para carros e caminhões, durante o dia e à noite. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alerta, no entanto, que as condições no trecho ainda são precárias e o motorista deve ficar atento.
A previsão do Dnit é de que até o final do mês de dezembro a rodovia esteja provisoriamente recuperada. A presença de máquinas na pista e o uso de desvios, no entanto, ainda vão exigir a atenção do motorista, alerta o órgão.
Reportagem Especial
Fila no trecho Sul da BR-101

O recapeamento da BR-101 em Palhoça, na manhã de ontem, provocou 10 quilômetros de filas. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, as obras continuarão até o dia 19, provocando o fechamento parcial de uma das vias.
Caminhoneiros que trafegavam pelo local estranharam o trânsito parado.
- Nos disseram que a pista estava liberada - lamentou Alvim Osmar Kratz, que viajava de Porto Alegre para São Paulo.
Além do intenso trânsito comum na rodovia, veículos que ficaram parados em Tijuquinhas por conta de um acidente entre um ônibus e um caminhão chegaram juntos ao trecho Sul da rodovia, aumentando ainda mais o congestionamento.
O gerente do consórcio responsável pela duplicação entre Palhoça e Paulo Lopes, Paulo Dagoberto, explicou que a chuva deteriorou o asfalto. O recapeamento será feito até São José, e não apenas próximo ao local do deslizamento, no Km 235.
- A rodovia toda ficou em estado precário. Estamos recapeando para melhorar as condições de tráfego e a segurança dos motoristas - disse Dagoberto.
Ele completou:
- Queremos melhorar a sinalização e a pista por causa das férias.
Reportagem Especial
Recuperação vai custar R$ 1,3 bi
A reconstrução de SC

À frente de uma comitiva formada por lideranças empresariais e políticas, o governador Luiz Henrique da Silveira apresentou ontem à União o saldo da catástrofe causada pelas chuvas.
O socorro às vítimas e a reconstrução da infra-estrutura vão custar R$ 1,3 bilhão. Até ontem, a tragédia registrava 123 mortes, 29 desaparecidos e, ainda, mais de 33 mil desabrigados e desalojados.
O levantamento foi entregue pelo governador ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao secretário-executivo do ministério da Integração Nacional, Luiz Antonio Eira. Para chegar à contabilidade do desastre, técnicos catarinenses cruzaram dados coletados por diferentes órgãos da administração estadual.
- Precisamos liberar esses recursos o quanto antes. Do contrário, os prejuízos à economia do Estado serão ainda maiores - argumentou Luiz Henrique.
Junto com o balanço, empresários de diferentes setores da indústria catarinense - entre eles, têxtil, agricultura e transportes - apresentaram uma série de reivindicações a Mantega. A maioria das demandas tinha como alvo a política fiscal da União.
O ministro da Fazenda ouviu relatos das entidades de classe das cidades atingidas e prometeu levar os pedidos ao presidente Lula. Mantega também aproveitou a reunião para anunciar a edição de uma medida provisória liberando R$ 372 milhões relativos aos títulos públicos do Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (Ipesc) que o Estado tinha a receber até 2028. O dinheiro deve entrar hoje no caixa do Estado.
Novo aporte pode ser anunciado na sexta-feira
O desfecho da reunião agradou apenas uma parcela dos empresários, já que uma pequena parte esperava o anúncio de medidas práticas. Uma das articuladoras da reunião, a senadora Ideli Salvatti (PT) procurou amenizar a frustração afirmando que o presidente Lula ainda anunciará novas medidas. Diferente do anunciado, não houve o encontro do governador com o presidente.
A expectativa na reunião é de que na sexta-feira, quando Lula visita o Vale do Itajaí, ele detalhe os repasses e os investimentos feitos pelo governo federal em Santa Catarina. O socorro aos empresários também deve ser anunciado durante a passagem de Lula pelo Estado.
Para viabilizar essa apresentação, na segunda-feira o presidente ordenou aos ministros envolvidos com a reconstrução do Estado que elaborassem um relatório detalhado do trabalho feito até esta semana. Dos R$ 1,3 bilhão reivindicados, pelo menos R$ 480 milhões - 40% - já estão previstos na medida provisória assinada pelo presidente Lula há duas semanas.
( robson.bonin@gruporbs.com.br )
ROBSON BONIN | Brasília
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Os números do estrago |
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R$ 410 milhões |
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> É a verba necessária para socorrer as vítimas |
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R$ 950.672.658,63 |
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> É a verba estimada para reconstrução dos prejuízos |
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R$ 1.360.672.658,63 |
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> É o custo total para reerguer Santa Catarina |
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R$ 372 milhões |
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> É a verba relativa aos títulos do Ipesc que deve ser liberada hoje por meio de medida provisória. |
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RECURSOS |
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> O governo federal já anunciou R$ 3 BILHÕES em recursos ao Estado. |
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> MP assinada por Lula de R$ 1,050 BILHÃO |
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> Títulos do Ipesc avaliados em R$ 372 MILHÕES |
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> Linhas de crédito da Caixa Econômica Federal de R$ 1,5 BILHÃO |
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> Verba para reconstrução das redes de energia elétrica da Celesc de R$ 60 MILHÕES |
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EMPRESÁRIOS |
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> Entregaram três cartas ao ministro da Fazenda pedindo a edição de um pacote de incentivos fiscais. As demandas serão entregues ao presidente Lula. Enquanto isso, a bancada catarinense no Congresso articula a votação de uma MP aprovando moratória de impostos federais ao governo do Estado, municípios e empresas localizadas nas áreas devastadas. |
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PESCADORES |
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> O ministro da Pesca, Altemir Gregolin, apresentou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um relatório estimando em R$ 300 milhões o volume de recursos necessários para a reconstrução do setor pesqueiro catarinense. A demanda também será entregue ao presidente Lula. |
Reportagem Especial
"Temos mais de R$ 500 milhões em prejuízos"
Entrevista João Paulo Kleinübing, PREFEITO DE BLUMENAU

Tempo e dinheiro. Com a cidade deixando para trás os piores dias, estes são os dois elementos necessários para Blumenau ser reconstruída, aponta o prefeito João Paulo Kleinübing (DEM) em entrevista concedida à Agência RBS.
Diário Catarinense - A prefeitura calculou o valor financeiro do prejuízo causado pela tragédia?
João Paulo Kleinübing - Nós temos levantamentos preliminares. São mais de R$ 500 milhões em prejuízos na infra-estrutura pública, destruição de casas etc.
DC - Qual é a principal preocupação do senhor, agora?
Kleinübing - É definir onde as famílias vão morar no período de um ano, até que as casas fiquem prontas. Estamos discutindo várias alternativas. Vamos trabalhar no que se perdeu da infra-estrutura viária, pontes, ruas. Temos de estabilizar essas barreiras que ainda estão na cidade.
DC - De onde virão os recursos para a reconstrução?
Kleinübing - Da União, muitos. Também recursos do governo do Estado. Precisamos estar vigilantes nesse aspecto para atender a reconstrução das casas e da infra-estrutura pública que se perdeu. Duas escolas e uma unidade de saúde foram destruídas; sete centros de educação infantil foram interditados. Dezenas de creches, unidades de saúde e escolas perderam tudo. A estrutura está lá, mas não tem equipamento, móveis e material didático. Tudo isso precisa ser recuperado com muito tempo e recursos.
DC - Quanto tempo?
Kleinübing - No mínimo, dois anos. Nós temos uma obrigação: não cometer os mesmos erros, principalmente na parte habitacional.
DC - Uma das lições tem relação com a urbanização dos loteamentos irregulares?
Kleinübing - Todo o trabalho de regularização é feito com base na abertura das ruas e a retirada das pessoas que estão em áreas de risco. No Morro Dona Edite e na Pedreira, onde trabalhamos na regularização dessas áreas, a tragédia não foi maior porque fizemos a urbanização e retiramos as pessoas que estavam em perigo. Do Morro da Pedreira tiramos 49 famílias ano passado.
DC - Elas foram levadas para onde?
Kleinübing - A maioria ainda está em moradias provisórias. Se não fosse isso, a tragédia teria sido muito maior. No (Morro) Dona Edite nenhuma casa foi abalada. Por quê? Porque as famílias em área de risco já haviam sido retiradas. A urbanização contribuiu para evitar um deslizamento maior daquelas encostas.
DC - O que deve mudar, então?
Kleinübing - A lição que fica disso tudo é, em primeiro lugar, que o conceito de área de risco mudou. Não é mais só aquela área ocupada inadequadamente, com barranco cortado de forma errada. Vimos áreas seguras com casas de 50 anos que nunca haviam sofrido abalo ruírem, como na (Rua) Hermann Huscher. Fica de saldo também a necessidade da criação do Serviço Municipal de Geologia, que faz parte da reforma administrativa que está sendo encaminhada para a Câmara. Será um serviço para avaliar e gerar conhecimento sobre o terreno, sobre a cidade, com proposta de solução de contenção e de prevenção.
DC - O senhor teme que a área condenada seja tamanha a ponto de o município ter problemas com a relocação das pessoas?
Kleinübing - É possível que seja. E temos de estar preparados para isso. Vamos enfrentar essa questão com seriedade.
DC - Quais serão as condições de oferta das casas aos desabrigados?
Kleinübing - A Caixa Econômica Federal vai financiar algumas, subsidiar. Vai depender do nível de renda e comprometimento. O município também vai subsidiar, financiar imóveis.
DC - Até quando as pessoas poderão ficar nos abrigos?
Kleinübing - Até final de janeiro teremos de desmobilizar os abrigos. Esse é o prazo máximo. Estamos revendo o calendário escolar do ano que vem. O ano letivo está previsto para começar dia 9 de fevereiro e a idéia agora é que comece dia 2 de março, envolvendo também as escolas particulares e estaduais. Estas quatro semanas que ganharemos são importantes para a questão viária. Será mais tempo com trânsito menor para recuperar as ruas.
DC - O senhor cancelou as férias coletivas da prefeitura. Quais outras medidas administrativas serão tomadas para agilizar a reconstrução da cidade?
Kleinübing - O horário especial também foi cancelado. Estamos trabalhando no horário normal e vamos continuar mobilizados enquanto precisar.
Notas
Construção civil

A construção civil prevê manter o ritmo de expansão no quarto trimestre deste ano, apesar da crise financeira mundial. O SindusCon-SP estima que o setor vá crescer 10% neste ano sobre o ano passado.
A NOTÍCIA – 10.12.2008
GASODUTO BOLÍVIA-BRASIL
Fornecimento de gás natural é normalizado

O transporte de gás natural para SC e RS começou a ser restabelecido às 18 horas de ontem, informou a Transportadora Gasoduto Bolívia-Brasil. Segundo a companhia, voltam a ser entregues por dia 2,6 milhões de metros cúbicos de gás às distribuidoras SCGás e Sulgás.
LIVRE MERCADO | Claudio Loetz
Lula anuncia
O presidente Lula virá a Santa Catarina na sexta-feira para anunciar medidas de auxílio à infra-estrutura e à atividade produtiva afetadas pelas enchentes. Ontem, Lula reuniu-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que levou as reivindicações do governo do Estado e do empresariado. Para a região Norte de SC, foi pedida pressa nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
AN.PORTAL | Jefferson Saavedra