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06/01/2009 INFRAESTRUTURA
 

DIÁRIO CATARINENSE – 06.01.2009

 

INFRAESTRUTURA

Hercílio Luz ganha nova sala de embarque

Espaço com 300 metros quadrados vai atender a forte demanda durante a alta temporada de verão

Enquanto a obra do novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Hercílio Luz continua percorrendo trâmites burocráticos para sair do papel, com previsão de conclusão apenas em 2012, foi inaugurada ontem uma sala de embarques provisória, de 300 metros quadrados, para auxiliar as operações de embarque durante a alta temporada de verão.

Em abril, nova ampliação promete dar mais comodidade aos passageiros. Segundo o responsável pela comunicação social da Infraero em Florianópolis, Ricardo May, a nova sala vai garantir agilidade, na alta temporada, nos embarques domésticos, que são o forte do terminal.

No ano passado, dos 2,056 milhões de passageiros que passaram pelo Hercílio Luz, 1,9 milhão foram através dos embarques e desembarques domésticos, ou seja, mais de 92% do total. Apenas 155,98 mil passageiros realizaram embarques e desembarques internacionais através do terminal de Florianópolis.

– A estrutura é removível e será desativada quando a ampliação estiver concluída, o que está previsto para abril, com investimentos de R$ 2,3 milhões. As novas salas de embarque e desembarques domésticos serão 1 mil metros quadrados maiores.

A edificação nova será feita em placas termoacústicas, técnica de ampliação definitiva utilizada em aeroportos ao redor do mundo durante grandes obras ou eventos.

Novo terminal vai custar R$ 295 milhões

O Aeroporto de Bruxelas possui salas de embarques feitas com estruturas pré-fabricadas há três anos. No Brasil, o sistema é utilizado no Aeroporto de Macaé. O terminal da Capital está defasado. Com capacidade para atender 980 mil passageiros por ano, já recebe mais de 2 milhões. Mas May explica que esta capacidade é relativa, porque considera o horário de pico com conforto classe A.

– O Hercílio Luz aproveita muita as chamadas janelas, horário de pouco movimento, como a madrugada, para receber os voos charter. De janeiro a março, estão previstos 525 voos internacionais fretados, vindos da Argentina, Chile, Uruguai, e Paraguai. Além de 46 voos charter domésticos, na sua maioria de São Paulo. Quase todos chegam de madrugada.

O novo terminal de passageiros, que vai consumir investimentos de R$ 295 milhões através do PAC e só deverá estar concluído em 2012, teve os projetos de engenharia, terraplenagem, pavimentação, drenagem e balizamento luminoso concluídos. A proposta foi apresentada dia 17 de dezembro de 2008 e o processo está em prazo legal de recursos.

– Já temos a licença ambiental prévia aprovada. Agora o processo aguarda a análise do Plano Básico Ambiental para obtenção da licença ambiental de instalação – resume.

simone.kafruni@diario.com.br

SIMONE KAFRUNI

 

INFRAESTRUTURA

Porto de Itajaí vai arrendar o cais

A Superintendência do Porto de Itajaí anunciou ontem que vai retomar o processo de arrendamento de áreas do porto municipal, iniciado em 2002, e transferir 100% das operações para a iniciativa privada até o fim de 2009.

O anúncio foi feito ontem, durante a apresentação de metas para a gestão do novo prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP). De acordo com o superintendente do porto, Antônio Ayres dos Santos Júnior, uma licitação será aberta pelo poder público assim que a reconstrução do cais, destruído pela enchente, for concluída pelo governo federal. A previsão é que os berços de atracação para navios e o cais de Itajaí, sejam recuperados em seis meses.

De acordo com Santos, a redistribuição da área portuária e do número de berços para a atuação de um novo terminal arrendatário em Itajaí será definida antes do lançamento da licitação. O Terminal de Contêineres do Vale do Itajaí (Teconvi) foi o primeiro terminal privado a operar dentro do porto público, a partir de 2002, e continua sendo o único.

– Mais do que nunca, o Porto de Itajaí deve ser regido como uma empresa privada, com a mesma seriedade. A administração municipal continuará a exercer o papel de autoridade portuária, regendo a atividade dos terminais privados.

Privatização é o único caminho para crescer

Santos justifica que a terceirização das operações no porto, traçada durante as duas primeiras gestões de Bellini como prefeito, é o único caminho para novos investimentos e o aumento da produtividade no Porto de Itajaí. O Superintendente atribuiu à municipalização do porto, em 1997, e à entrada do Teconvi como arrendatário, um crescimento de 350% na movimentação de contêineres até 2006, quando Itajaí saltou do sexto para o terceiro lugar no país. Hoje o porto ocupa a segunda posição, atrás apenas de Santos na movimentação de contêineres.

O ex-superintendente do porto e novo secretário Extraordinário para Reconstrução de Itajaí, Amílcar Gazaniga, admitiu que a inclusão de administradores do porto público em investigações da Polícia Federal, no ano passado, pesou no projeto feito pelo atual governo para o porto nos próximos anos.

– O Porto de Itajaí sofreu uma destruição moral, quando fomos parar nas páginas policiais da imprensa nacional. Precisamos nos recuperar física e moralmente – disse.

SICILIA VECHI | Itajaí

 

EDITORIAIS

O colapso nas estradas

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O caos registrado na ida e na volta do feriadão de Ano-Novo para quem se dirigiu de algum ponto do Estado para o Litoral Norte e também para Santa Catarina teve muito a ver com o mau tempo. O desastrado início do que seria um período de descanso depois de um ano inteiro de trabalho, porém, chama a atenção para a necessidade de uma mudança radical na forma como foram concebidas as rodovias disponíveis hoje, pois já não conseguem mais dar vazão ao fluxo de veículos em períodos de maior movimento. Não basta, porém, que os governantes cumpram a sua parte, atualizando a malha viária a uma nova realidade. Como estradas não podem ser abertas de um momento para outro, é preciso que também os usuários façam sua parte, pelo menos nesse período de transição, buscando rotas alternativas e reformulando hábitos.

Como era previsível, menos para quem costuma trabalhar com planejamento e, mesmo assim, só tem o hábito de agir depois do fato consumado, uma revolução nos costumes como a disseminada pela popularização do carro, graças à estabilidade econômica e ao crédito fácil, exigiria muito mais que a arcaica malha viária disponível hoje. Só agora uma rodovia essencial para a ligação entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, como a BR-101, vem passando por obras de duplicação, com um projeto que prevê a elevação da pista em trechos mais suscetíveis a alagamentos. Mas o pânico instalado entre turistas que decidiram optar pela volta antecipada do feriadão de Ano-Novo devido às chuvas poderia ter sido minimizado com uma atuação que dependesse menos da boa vontade das polícias rodoviárias e mais de informações claras, de rotas alternativas mais seguras, de uma rede hoteleira mais ampla nas margens da rodovia, de helicópteros para resgate.

Da mesma forma, é inconcebível que, enquanto o trecho Osório-Torres da BR-101 também estiver em obras, os turistas e veranistas no vizinho Estado continuem dependendo basicamente da Estrada do Mar para chegar aos balneários mais concorridos do Litoral Norte. Além dos riscos que oferece de morte por afogamento às suas margens, a rodovia foi construída basicamente com o objetivo de facilitar o deslocamento de veranistas entre as praias e tem sérias limitações de tráfego. A particularidade de a rodovia ser pedagiada, e de o contrato não prever o alargamento, condiciona qualquer obra nesse sentido a mudanças contratuais. Assim como os da BR-101, porém, outros problemas crônicos, legados pelo descaso histórico das autoridades e pela falta de planejamento, que o clima adverso só se encarregou de expor de forma mais dramática, precisam ser enfrentados logo.

É evidente que as autoridades devem dar total atenção ao trânsito e às rodovias. Mas chegou também a hora de os cidadãos se programarem para conviver num ambiente de aumento desmesurado da frota sem estradas suficientes e adequadas para comportar o número de carros.

MOACIR PEREIRA | Moacir Pereira

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*       Chega de amadorismo

Se é verdade que a primeira impressão é a que fica, os turistas estrangeiros que estão desembarcando em Florianópolis devem retornar com uma imagem negativa do turismo catarinense. Pisam, e encontram uma desordem inusitada na coleta das malas. A esteira é a vergonha dentre os terminais das capitais brasileiras.

Turismo de qualidade? Pois bem. No primeiro dia do ano faltou energia elétrica em Balneário Camboriú duas vezes, por longo tempo, e sem explicações. No Leste da Ilha de Santa Catarina, outro caso emblemático. Na véspera do novo ano, fiscais municipais foram eficientes em inspecionar. Queriam saber tudo. Mas se esqueceram de enviar a Guarda Municipal para orientar o trânsito na Lagoa, a artéria principal do sistema viário. Pior: no domingo faltou luz por mais de 15 horas na Joaquina, com transtornos e prejuízos a milhares de habitantes e turistas.

Entra ano, sai ano, a mesma ladainha. Não muda nada. Os problemas se repetem, de forma até enfadonha. O acesso ao Sul continua uma piada, sem que se adote alguma providência para aliviar os gigantescos engarrafamentos. Solução é o elevado, dizem todos. Mas antes disso, ninguém cogita da engenharia de tráfego. E a SC-401, a espinha dorsal das praias do Norte da Ilha, as mais procuradas? Alguém se lembra de uma única decisão técnica do Deinfra para desafogar o trânsito? Salvou-se apenas a Polícia Rodoviária, com a liberação de veículos em mão dupla no trecho não-duplicado, entre os trevos de Jurerê e dos Ingleses. A SC-401, aliás, é o pior cartão-postal de Floripa, em termos de sinalização, buraqueira, paisagismo, sistema de guard-rail, etc.

A NOTÍCIA – 06.01.2009

 

ENCHENTE NO SUL

BR-101 deve reabrir amanhã

DNIT prevê liberação da pista entre os km 404 e 412, que ontem ainda estavam cobertos por um metro de água

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O sol apareceu para ficar ontem no Sul do Estado e trazer expectativas positivas para motoristas, moradores e agricultores atingidos pelas chuvas que provocaram alagamentos em pelo menos 18 cidades. A melhor delas é a possibilidade de liberação do trecho interditado de oito quilômetros da BR-101 amanhã, de acordo com previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Ontem, a pista entre os km 404 e 412 estava coberta por um metro de água.

De acordo com a Defesa Civil estadual, 2.212 pessoas (639 desabrigados e 1.573 desalojados) tiveram de ir para abrigos públicos ou para casa de parentes.

Ontem à tarde, o número de cidades em emergência chegou a 11: Jacinto Machado, Turvo, Ermo, Lauro Müller, Forquilhinha, Araranguá, Criciúma, Nova Veneza, Siderópolis, Meleiro e Içara. Também foram afetados, mas não encaminharam decreto os municípios de Urussanga, Timbé do Sul, Tubarão, Jaguaruna, Laguna, São Martinho e Praia Grande.

Diante de tantos problemas, os prefeitos da região carbonífera se reuniram para buscar soluções. Uma audiência com o governador Luiz Henrique da Silveira será marcada para pedir dinheiro. Um auxílio na elaboração dos projetos para desassoreamento dos rios Urussanga e Sangão e um pedido de liberação junto à Fatma para extração de seixo rolado do rio Mãe Luzia (matéria-prima para recuperação das estrada) também estão entre os pedidos.

A segunda-feira também foi dia de levantamento dos danos causados às lavouras de arroz, que predominam na região. De acordo com estimativa da Epagri, 20 mil hectares entre Criciúma e Araranguá estão submersos. A perspectiva é de até 50% de perda na produção das áreas alagadas. Em Araranguá, 80% das canchas de arroz estão comprometidas. Em Maracajá, a situação é parecida. Em Meleiro, 60% das lavouras foram danificadas. Em outras cidades, também há lavouras submersas.

SEM ENERGIA ELÉTRICA

A falta de segurança impediu a Celesc de religar a energia elétrica em 1.494 unidades consumidoras no Sul do Estado, ontem. Não há previsão para o fornecimento ser normalizado. A maioria dos consumidores é de Araranguá, cidade mais atingida pela enchente.

 

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*       LIVRE MERCADO | Claudio Loetz

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*       Logística

A administração do Porto de São Francisco do Sul pede o apoio do empresariado na organização do transporte de cargas neste período de férias e de temporada de verão. Quer que os operadores indiquem o uso de rotas e horários alternativos. Os administradores restabeleceram a central de triagem no Posto Sinuelo, em Araquari, para monitorar o tráfego na BR-280.

Outra providência foi o início do transporte de cargas via ramal ferroviário, operado pela América Latina Logística. São produtos que vêm do Paraná e do Mato Grosso. Tudo isso é feito para evitar maiores transtornos aos turistas, apressar o atendimento aos armadores e minimizar a espera dos navios.

O porto trabalha durante 24 horas por dia com cinco berços. O cais tem mil metros, a área alfandegada ocupa 145 mil metros quadrados e tem estruturas para cargas frigorificadas.

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*       R$ 100 mi do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tem R$ 100 milhões para o financiamento de capital de giro de micro, pequenas e médias empresas catarinenses atingidas pelas enchentes. O financiamento será no valor máximo de R$ 10 milhões por empresa, limitado a 20% da receita operacional bruta recebida no último ano.

O custo financeiro será de 14,25% ao ano, ou com encargos da cesta de moedas, acrescidos da variação do dólar. O prazo de pagamento será de 13 meses, incluídos até cinco meses de carência. As operações de empréstimo deverão ser protocoladas até 29 de junho. Também será refinanciado o crédito concedido pelo BNDES ao Estado para pagamento de dívidas com as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) no período do apagão, o que permitirá um alívio de caixa para o governo do Estado.

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*       Refinanciamento

Outro programa, o de refinanciamento (Refin Especial) prevê prazos de pagamento de dívidas com 18 meses de carência mais 24 de amortização para empresas prejudicadas pela suspensão do fornecimento de gás pelo rompimento do gasoduto em Gaspar, em novembro, e as empresas com fábricas localizadas nos municípios que declararam estado de calamidade pública ou situação de emergência.

Também foi criado um programa de financiamento ao capital de giro destinado às empresas dos setores de indústria, comércio e serviços.

ENERGIA - O Ministério das Minas e Energia deverá promover 12 licitações de hidrelétricas neste ano. Em 2008, duas usinas foram licitadas e, em 2007, apenas uma. Os 12 empreendimentos somam 12,062 mil MW de capacidade instalada.


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Atualizado em 06/01/2009